Que você anda de um lado pro outro, todos nós sabemos. O que eu queria saber é o porquê das andanças, porque você não fica um pouco e observa alguma coisa junto comigo? Esse era Paulo se perguntando coisas da enigmática Cecília.
Cecília era uma garota de 15 anos, uma garota nova, porém, conhece o mundo como ninguém, ou pelo menos faz questão de conhecê-lo.
Uma garota submersa em seus pensamentos, sempre passeando em lugares, "nunca iria notar um garoto estranho como ele", pensava Paulo. Ele sempre seguia ela em todos os lugares sem ela perceber, os mesmos movimentos pareciam distintos, ela não fazia as mesmas coisas apesar do hábito continuo, ela tinha a maneira dela de ser diferente, a maneira como nunca ele havia notado em mais nenhum ser humano. Ela era uma espécie rara de humano pra ele, e a cada dia que passasse ele se dava conta do mistério que aquela garota fazia rondar sobre sua cabeça.
"Os olhos dela são lindos!" Murmurou Paulo em seu quarto, os olhos também era diferentes, mas não o desenho, o olhar.... A visão era penetrante em tudo que ela olhava, e ele gostava disso. Mas, faltava algo, faltava a visão ser sobre ele, Paulo queria sentir o vento passando por ele com a visão de Cecília.
No dia seguinte,na escola, Paulo deu qualquer desculpa à professora pra sair da sala após ver Cecília andando pelos corredores. Sentou-se em qualquer sofá e observou-a como de costume, só que, dessa vez foi diferente, ela olhou pra ele com cara de quem quisesse descobrir o que aquele menino estaria olhando e resolveu perguntar:
- Paulo, o que me atrai em você?
Paulo ficou assustado com aquela pergunta, a partir daí descobriu mais uma qualidade: Cecília era direta. Sim, pra ele aquilo era uma qualidade, para um garoto tímido nada melhor que uma bo dose de direção pra colocá-lo no lugar.Então, decidiu parar de devanear e respondeu com calma:
- A sua dispersão.
Foi direto, assim como ela
- isso não te incomoda? Porque sinceramente, eu nunca vi ninguém me seguindo por isso, só faço pessoas fugirem, mas não ligo.
Pra ele aquilo não fazia sentido, é claro que o ela falou não era de se admirar. Mas, ainda assim, ela era a melhor pessoa, mesmo em silêncio.
- Eu sempre pensei que as melhores fossem realmente sozinhas, mas não penso que você seja sozinha por eles, talvez... Sozinha por que quer?
Cecília ao invés de responder, levou-o pára o mesmo lugar em que sempre estava. Um jardim imenso quase abandonado. Paulo sabia que já estavam longe da escola, mas não quis lembrá-la.
- Esse é o meu ponto de encontros. Não, não pense que eu estou louca, não vejo nenhum ser fantasioso aqui, exceto minha própria dispersão. É aqui onde eu me vejo lá no fundo da alma, alimentando sonhos e esquecimentos. E sabe porque?
Paulo continuou em silêncio
- Porque o esquecimento é o ponto de partida para sonhar.
Aquela frase ficou na cabeça de Paulo, no outro dia e no resto dos outros, eles sempre davam alguma desculpa e saiam da escola para ficarem horas falando de todos os sonhos. Inclusive, para realizar o principal de Paulo, fazê-la parar e observar coisas junto com ele.
Só você pra fazer perceber que, a morte é só um lampejo de sonhos. Que morrer de verdade é não se esquecer

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